Como implementar Governança Corporativa e Compliance conforme o porte da empresa

By 29 de julho de 2019Artigos

Por Emerson Siécola

As boas práticas de governança corporativa e compliance devem ser trabalhadas como dois lados da mesma moeda, de modo a nortear a gestão, proteger os interesses de todas as partes envolvidas (stakeholders), contribuir para um ambiente de negócios ético e transparente e preservar a imagem e a reputação corporativa.

A governança corporativa, antes tida como algo aplicável somente a grandes organizações e empresas de capital aberto, aplica-se a qualquer tamanho de organização empresarial, independentemente do porte e segmento de atuação.

Toda organização possui dois tipos de governança: uma “para dentro” e outra “para fora”. Todos os dias (todos os dias mesmo!), nos deparamos com alguma notícia envolvendo práticas de governança corporativa, sejam elas boas ou ruins. Além destas, vemos também situações de uma “nova governança”, como por exemplo, um grupo de índios que no início deste ano comprou pouco mais de R$ 100,00 em ações de uma determinada companhia para terem direito de participar da assembleia de acionistas e poder protestar contra atrasos e pendências nas compensações ambientais. Esta prática, chamada de “ativismo societário”, era inédita no Brasil até então por iniciativa de populações indígenas. Não é mais!

Olhando para dentro da organização, é preciso pensar a governança como projeto de longo prazo, por meio da execução e da gestão de compliance e do engajamento de todos, empregados (chamados de colaboradores em algumas empresas) e terceiros. Mas daí nos perguntamos: como obter engajamento? o que realmente motiva as pessoas? Incentivos? Bônus? Punições? Sim, as punições podem ser vistas como “forma de motivação”. A motivação profissional  deve ir muito além dos incentivos ou punições. E essa motivação vem a partir do topo, das lideranças.

A construção da confiança recíproca, dentro de uma cultura organizacional madura, seja ela pública, privada ou do terceiro setor, necessita de multiplicadores além da figura do Compliance Officer. Sem falar, na independência, autonomia e recursos para desempenho da função.

Por falar em cultura empresarial, aí está um dos maiores obstáculos e desafios a serem vencidos. Cultura empresarial é o modo como e para quem se faz as coisas. É a identidade da organização. Lembra da visão, missão e valores? Eles são especialmente importantes para a cultura corporativa almejada. Daí a seguinte pergunta para refletirmos: criar, reciclar ou mudar a cultura empresarial? Depende.

Como sabemos, o patrocínio da alta instância da organização é fundamental para a boa governança e o sucesso dos Programas de Compliance. Ou seja, a boa governança corporativa patrocina, apoia e tem papel determinante na cultura de compliance e nas práticas de ética e de integridade corporativa.

É preciso, ainda, definir papeis e responsabilidades dos gestores internos. Lideranças fortes que atuam com transparência e imparcialidade obtém melhores resultados de suas equipes e estabelecem um laço de confiança naturalmente, o que traz mais segurança para a realização das atividades do dia a dia e também para os processos de tomada de decisão.

A prática interna “portas abertas” é reflexo dessa cultura e do processo de confiança estabelecido. O resultado: o gerenciamento de riscos adequado, alinhado à estratégia e à performance do negócio.

Nos ambientes “tomados” por altos níveis de confiança entre os profissionais, são baixos os indicadores de desvios de conduta, fraudes internas, desperdício de tempo, de recursos, retrabalhos, dentre outros.

Nesse ambiente, lideranças e profissionais compreendem a necessidade de não ignorar sinais de alerta que envolvem riscos. Todos entendem a respectiva responsabilidade pessoal a ser assumida e a necessidade de conhecer, avaliar e propor a melhoria dos controles internos.

O amadurecimento do Programa de Compliance, desenvolvido a partir de um projeto adequado e de acordo com a realidade de negócios, é resultado de um trabalho contínuo e organizado em um ambiente cultural de líderes conscientes e aberto à inovação e à quebra de paradigmas.

O crescimento da organização requer interação contínua e permanente entre as áreas estratégicas, táticas e operacionais, além do monitoramento das ações, comportamentos e condutas.

Olhar adiante é questão de sobrevivência no mundo dos negócios. Seja para a empresa estar preparada para receber ou fazer novos investimentos, seja pela necessidade de inovar, não somente sob o ponto de vista de tecnologias emergentes e disruptivas, mas pela necessidade de prevenir riscos de maneira rápida, simples e eficaz.

Não existem atalhos e é preciso evoluir. Como? Por meio dos programas de governança e compliance, os quais podem auxiliar as organizações, independentemente do porte e tamanho, a redefinir o referencial de sucesso nos seus respectivos setores e ramos de atuação.

Vamos nessa?

Matheus Cunha

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